Confesso. Depois do mp3, consumi pouquíssimos CDs. Em 1997, quando a internet e o mp3 ainda engatinhavam, a música “gratuita” era quase um esporte. Não era a intenção baixar CDs inteiros, e sim ter as musicas que a gente gostava acessíveis, o tempo todo. E vamos ser francos: todo CD tem “fillers”, ou na língua de Mazzaropi, “encheção de lingüiça”.
Esses fillers são filhos bastardos do CD. Os LPs tinham apenas quarenta minutos de duração (20 minutos por lado), enquanto as fitas K7 duravam 1 hora (meia hora por lado). Isso fazia com que a banda selecionasse melhor suas músicas, para chamar a atenção do ouvinte logo no primeiro lado. Mesmo assim, existia a cultura do “Lado B”, que não necessariamente era o lado ruim do disco ou da fita. Normalmente, era o lado menos comercial da banda, mas nem sempre eram fillers. Essa cultura do lado B veio com os Singles, que já existiam nos LPs. Tinha uma coisa meio mística, como músicas não-lançadas no lado B dos singles, aquela coisa “Musica tal era B-Side do single tal”.
Hoje a coisa está um pouco diferente. Pois todos tentam preencher os 74 (ou 80) minutos do cd de qualquer maneira. E nem sempre as músicas são boas, o que faz ser possível CDs com apenas 2 músicas boas e o resto ser de gosto duvidoso.
Há 5 minutos, os artistas compreenderam que podiam dar música. Sim, dar. Através do mp3.com, tramavirtual, myspace, que seja. Então, sites como AmieStreet.com começaram a vender música com o lucro sendo revertido diretamente aos artistas. Mas ei, as pessoas esqueceram como era comprar álbuns. É só ir em qualquer serviço de Music Store e ver as mais vendidas. As músicas mais vendidas. Gosta da música nova da ex-líder do Pussycat Dolls? É um dólar. Gostava na década de 90? Tinha que comprar o CD.
Então a pergunta é: pra quê comprar álbuns hoje? Se uma banda lança 3 singles que valham a pena em um disco com 15 faixas, temos 12 músicas de procedência duvidosa. E ano que vem, temos mais um CD na mesma configuração. Só que agora temos um pouco mais de liberdade, pra comprar só as músicas que gostamos...
E a indústria pedala na história. Em tese, isso deveria forçar as bandas (ou produtores) a ser mais criativas. Um álbum com 12 faixas deveria ter 12 faixas boas, e não só os candidatos a singles. Mas aí eles queimam os cartuchos. E é assim que a indústria se retro-alimenta.
Ou retro-alimentava. A tendência, pra mim, é quebrar o formato. O CD de áudio está com os dias contados, ao menos da maneira que é vendido hoje. Eu não acredito em CD+DVD, por clara redundância. Então, a próxima mídia física já é o Mp3. E isso que deixa as gravadoras de cabelo em pé. Pois, como o Radiohead demonstrou, o artista pode vender seu próprio peixe. E agora, RIAA?
Segunda-feira, Abril 21, 2008
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1 blargs:
Pense pelo lado bom Luciano,
as gravadoras não vão poder mais obrigar nós vocalistas a cantar agudo.
...
vamos poder confessar ao mundo que somos heteros...
não melhor não,
ainda precisaremos do marqueting.
=*
bejomeliga
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