De Billy Wilder a Orson Welles. Anteontem vi na televisão imagens do circuito de TV em que o pai e a madrasta estavam em um supermercado, as três crianças sob cuidado desta. É isso agora?
Que estamos sendo vigiados, eu já sabia. Mas pensava que eram imagens de uso restrito. Agora, sinto um certo mal-estar sabendo que posso estar sendo estudado. A mãe de Isabella não chorou copiosamente na missa de 7º dia. Já foi chamada de “fria”. Conversou com os repórteres após a missa. “Está atrás de publicidade com a morte da filha”. É interessante pensar que, se ela expulsasse os repórteres estaria “obstruindo a imprensa”.
Lembrei-me do livro “O Estrangeiro”, de Albert Camus. Na parte final do livro, o protagonista está preso por matar um árabe (“Killing an Arab”, alguém?), e no julgamento uma testemunha que conhecia sua falecida mãe diz que ele não chorou durante o enterro. Para a acusação, uma amostra da crueldade e falta de escrúpulos. Foi condenado à morte, julgado principalmente por suas emoções.
Não podemos esquecer, aqui, a singularidade de cada ser humano. Cada um se emociona de maneira diferente. Danuza Leão escreveu que se estivesse no lugar de Ana Carolina (a mãe), não estaria com a firmeza dela. Não falaria com repórteres, etc. É a empatia reversa. Danuza não sente a dor do outro, mas sim absorve a tragédia do outro, e ao perceber que a reação deste é incompatível com sua própria, deixa no ar uma crítica, quase como quem repreende veladamente um mal-comportamento.
Temos leis que regulam os comportamentos inaceitáveis. Só que inaceitável mesmo é obrigar que todos chorem igualmente.
Sábado, Abril 19, 2008
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1 blargs:
alguem viu o Biel Vieira choranado no enterro?
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